Enquanto o Wing Chun de Foshan seguia para Hong Kong e virava fenômeno mundial, um outro ramo cruzava a fronteira para o sul — e ali guardou o trabalho interno que a linha desportiva foi deixando pelo caminho.
Nguyễn Tế Công (阮濟雲) — nome vietnamita de Yuen Chai-Wan (阮濟雲, 1877–1959/60) — foi quem transplantou o Wing Chun de Foshan para o Vietnã (越南). Filho de um rico monopolista de fogos de artifício e irmão mais velho de Yuen Kay-shan, os irmãos aprenderam com o condestável imperial Fok Bo-Chuen (aluno do artista de ópera Law Man-kung) e depois cuidaram do velho mestre Fung Siu-Ching até sua morte, em 1936. Dominavam formas de punho, boneco, dardos, facas e bastão.
Yuen morava perto da família Ip e Ip Man também estudou com ele. Yuen era 16 anos mais velho; ambos eram praticantes de 7ª geração, mas Yuen, tendo começado antes, era mais avançado. Na árvore do sistema, Yuen e o irmão são considerados figuras de linhagem superior a Ip Man — um detalhe que a história popular costuma inverter.
Por volta de 1936 (algumas fontes dizem 1929–30) emigrou pelo porto de Hải Phòng (海防), adotou o nome de um santo budista e fixou-se em Hà Nội (河內). Em 1954 mudou-se para Sài Gòn (西貢) e abriu uma segunda escola. É reverenciado como Sư Tổ (師祖) (Grão-Patriarca) do Vịnh Xuân (詠春) vietnamita.
O que distingue a linha vietnamita é o peso dado ao cultivo energético. Ela se chama Vịnh Xuân Nội Gia Quyền (詠春內家拳) — "punho de escola interna" — e trata a respiração e a estrutura como fundamento, não acessório.
Seu discípulo Trần Thúc Tiển (陳叔典) chegou ao sistema como cura para tuberculose em estágio avançado. Pelo treino energético — khí công (氣功) interno combinado à medicina tradicional — recuperou-se, e seus próprios métodos de cura tornaram-se cada vez mais refinados. A arte, aqui, nunca foi só combate.
Registros indicam que Nguyễn Tế Công (阮濟雲) transmitiu materiais distintos: aos chineses étnicos, o currículo completo (com Lục Điểm Bán Côn 六點半棍 e Mộc Nhân 木人樁); a muitos alunos vietnamitas, um núcleo enxuto de Tiểu Niệm Đầu (小念頭), Mộc Nhân e bastão. As gerações seguintes agregaram forte trabalho interno, consolidando o caráter Nội Gia (內家) da escola. Há registro fotográfico do Sư Tổ (師祖) executando os 108 movimentos no Mộc Nhân (木人樁) em abril de 1959, e um documentário de 1977 com Trần Thúc Tiển (陳叔典) demonstrando a forma 108, o dính thủ (黐手) e o nội công (內功).
Para um mapa completo, vale conhecer as outras linhagens que guardam raízes, formas ou métodos distintos da linha de Hong Kong:
Irmão de Tế Công. Currículo técnico sofisticado, mesma raiz Fok Bo-Chuen / Fung Siu-Ching.
Preserva a narrativa Shaolin do Sul e a teoria dos cinco elementos; rica fundamentação histórica.
Sistema de Leung Jan na aldeia natal — sem formas longas fixas (Sáan Jong), doze fórmulas soltas.
Ramo com formas próprias e narrativa Shaolin; ligado à diáspora do sudeste asiático.
A linha do "eternamente primavera", com forte identidade Shaolin e trabalho de ponte e energia.
O rolar de braços (Pun Sau) aproxima-se da Garça Branca, diferente das três pontes de Hong Kong.